quarta-feira, dezembro 06, 2006

Como é que Deus pode amar alguém como eu?


«Eu, teu Deus, conheço a tua miséria, os combates e as tribulações da tua alma, a fraqueza e as enfermidades do teu corpo; conheço a tua frouxidão, os teus pecados, as tuas falhas; mesmo assim eu te digo: 'Dá-me o teu coração, ama-me como és'. Se esperas ser um anjo para te entregares ao amor, nunca me amarás. Embora tornes a cair muitas vezes essas faltas que desejarias nunca conhecer, embora sejas indolente na prática da virtude, não te permito que não ames. Ama-me como és. Em cada instante e em qualquer situação em que te encontres, no fervor ou na aridez, na felicidade ou na infedelidade, ama-me tal como és. Quero o amor do teu coração indigente. Se, para me amares, esperas ser perfeito, nunca me amarás. Meu filho, deixa-me amar-te, eu quero o teu coração. Tenho o cuidado de te formar mas, entretanto, amo-te como és. E desejo que faças o mesmo; E desejo ver, no fundo da tua miséria, subir o amor. Em ti, até amo a própria fraqueza. Amo o amor dos pobres. Quero que, da indigência, continuamente se eleve este grito: Senhor, eu vos amo. É o canto do teu coração que Eu procuro. Acaso necessito eu da tua ciência e dos teus talentos? Não são as virtudes que eu te peço; e, se eu te as concedesse, tão fraco como és, em breve se lhes juntaria o amor-próprio. Não te preocupes com isso. Poderia destinar-te para grandes coisas. Não, tu serás o servo inútil; tomar-te-ei até o pouco que tens, pois criei-te para o amor. Ama! O amor te levará a fazer tudo o resto, sem que penses nisso; procura apenas, preencher o momento presente com o teu amor. Hoje, estou à porta do teu coração, como um mendigo, Eu, o Senhor dos senhores. Bato e espero; apressa-te a abrir-me a porta, não alegues a tua miséria. Se tu conhecesses perfeitamente a tua indigência, morrerias de dor. A única coisa que poderia ferir-me seria ver-te duvidar e perder a confiança. Quero que penses em mim em todas as horas do dia e da noite; não quero que admitas a acções mais insignificantes por um motivo que não seja o amor. Quando tiveres de sofrer, dar-te-ei a força necessária. Tu me deste amor, eu te concederei amar para além de tudo o que poderias sonhar. Mas lembra-te: ama-me tal como és. Não esperes ser um santo para te entregares ao amor, senão, nunca amarás.»

Anónimo

Retirado do livro: "Se tu soubesses o dom de Deus" - Luis Rocha e Melo SJ


Já lhe abriste o teu coração hoje?

1 comentário:

p. João disse...

Ama-me como és! É tão fácil que nós nem acreditamos e complicamos! Quando cada um dá o que recebe é fantástico. Com alegria, simplicidade e bondade de coração. Assim, como Deus nos fez.